12 de Junho de 2009

Glossário - MEZZO-SOPRANO (1 de 4)

Mezzo-Soprano (significando “soprano média” ou “meia-soprano”) é um tipo de voz clássica feminina, cuja amplitude se situa entre as vozes de Soprano e Contralto, habitualmente entre o Lá2 (Lá abaixo do Dó central = Dó3) e o Lá4. Algumas Mezzo-Sopranos podem descer até ao Sol2 e subir até ao Dó5, o que significa que poderão assumir simultaneamente características da voz Soprano, atingindo um registo agudo similar ao deste tipo de voz, como características da voz de Contralto, conseguindo manter um timbre rico na zona mais grave. A Mezzo apresenta geralmente uma voz mais encorpada que a Soprano, e uma extensão maior na região média-grave; idealmente, possui uma amplitude de pelo menos 3 oitavas, e um timbre mais escuro e rico que a Soprano.

A distinção entre Soprano e Mezzo tornou-se necessária durante o séc. XVIII, quando a composição musical deixou de requerer quase exclusivamente vozes masculinas. Originalmente, as Mezzo interpretavam papéis secundários, principalmente os personagens mais galanteadores chamados soubrettes. O papel de Carmen na ópera homónima de Bizet, e o de Rosina no Barbeiro de Sevilha de Rossini, são as mais notáveis excepções de Mezzos enquanto protagonistas. O facto de muito poucos papéis principais serem escritos para este tipo de voz pode ser frustrante para as Mezzo-Sopranos, algumas das quais perfeitamente capazes de interpretar papéis de Soprano ou Contralto. Tanto o personagem Azucena, da ópera Il Trovatore de Verdi, como as Mezzo rossinianas (caso de Rosina), são caracterizadas por uma abordagem vocal mais leve, devido à coloratura que têm de realizar, e ao facto de, no caso da primeira, atingirem registos agudos até ao Dó5: isto desmistifica a ideia de que as Mezzo são vozes graves.

Os típicos papéis para Mezzo incluem a tríade estereótipo de “witches (bruxas), bitches (vilãs) and breeches (corsários, calças)”: bruxas, enfermeiras e mulheres sábias como o personagem Azucena na ópera Il Trovatore de Verdi; vilãs e sedutoras como Amneris em Aida, também de Verdi; e papéis masculinos – trouser roles – como o Cherubino d’ As Bodas de Fígaro de Mozart. Além dos papéis operáticos, as Mezzo encontram-se também muito presentes na música antiga e na música barroca.

Alguns papéis destinados a Soprano soubrette de voz mais leve são cantados por Mezzo-Sopranos, que lhes conferem frequentemente um carácter mais cheio e dramático. Nestes papéis incluem-se a Despina de Così fan Tutte e a Zerlina de Don Giovanni, ambas de Mozart. As Mezzo interpretam também por vezes papéis de Soprano dramático, como a Santuzza da Cavalleria Rusticana de Mascagni, a Lady Macbeth na ópera Macbeth de Verdi, e Kundry em Parsifal de Wagner.

Nos coros, as Mezzo-Sopranos cantam habitualmente a melodia das segundas Soprano, mas podem assumir tanto a linha de Soprano, sendo capazes de acrescentar um timbre mais escuro ao registo agudo, como a de Contralto, alargando a tessitura desta última voz quando necessário. Se o coro for suficientemente profissional, as peças com seis ou oito vozes irão incluir uma parte específica para Mezzo.

1 comentário:

Anónimo disse...

Interessante..!
Meu timbre de voz é o Mezzo.